[Conto] A Caminho da Vila

Figgel Tannenbaum

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A Caminho da Vila

Os cento e cinquenta quilos de prazeres da boa mesa que Czeco orgulhosamente ostentava em sua circunferência iam confortavelmente assentados em meio às bagagens em uma das carroças, para seu alívio - e do cavalo que havia sido reservado a ele, que seguia agora logo à frente da carroça e trotava faceiramente com um magro e falante Rinbin em sua sela.
Czeco era um bonachão e anfitrião por natureza. Antes que percebesse - e antes que qualquer um pudesse evitar - a atmosfera ao redor de onde quer que ele se sentasse e se sentisse à vontade adquiria o ar de uma taberna. E assim foi com a carroça no caminho da vila. Czeco animava os aldeões com anedotas e episódios da viagem, sem deixar de servi-los com uma inofensiva dose de exagero.

Torik caminhava atrás do grupo carregando um alforje cheio pendurado em seu ombro. Torik negara veementemente as ofertas de um cavalo e até de um lugar em uma das carroças, alegando que precisava esticar um pouco as pernas e que gostava mesmo de andar.
A verdade é que Torik preferia remar uma canoa em meio à tempestade do que subir em uma sela. Ele não se sentia confortável à mercê dos caprichos de um animal daqueles e, fossem asnos que puxassem as carroças, Torik teria concordado em sentar-se em uma delas - com a condição que fosse ele o cocheiro.

Já Erin montava com uma elegância natural e distinta habilidade. Nem mesmo o capitão da guarda, montado no cavalo mais bem cuidado de todos, guiava com tal naturalidade.
Como era esperado, sabendo que a comitiva era composta por três homens e uma mulher, levaram apanas três cavalos. Erin não via problema algum em montar o cavalo que Torik dispensara e assim o fez, constrangendo ligeiramente aldeões e lanceiros que não sabiam exatamente como reagir à situação. Supuseram, afinal, que talvez fosse normal mulheres montarem cavalos na capital do Reino.
Erin assumiu uma posição no flanco da carroça de Czeco, a uma distância suficiente para que pudesse abstrair-se da comitiva e apreciar a natureza ao redor e também prestar atenção às conversas quando quisesse. Não via a hora da viagem finalmente terminar e, chegadas ao fim as formalidades, banhar-se em alguma das cachoeiras que sabia existir naquela região.

Tannenbaum montava o segundo melhor cavalo da comitiva, mas que fora adornado de tal forma que parecesse o melhor de todos. Era de se imaginar que os constantes conflitos naquela região promovessem Grivus, o general que comandava a comitiva, a um papel de grande importância - e prestígio. O melhor cavalo ser reservado ao general era uma das muitas evidências que ele teria disso.
O recém nomeado Duque passou o caminho todo dividindo sua atenção entre Rinbin e Grivus, o general. O Menestrel fazia um enorme esforço para conter seu êxtase desde que Tannenbaum identificara a melodia que ele assobiara na praia. "Verde é a Cor da Terra" era uma música tradicional de Arvahall que ele aprendera na infância e costumava assobiar frequente e despreocupadamente. Tannenbaum, naquelas breves horas desde que se conheceram, já aparentava ter mais cultura e interesse nas artes e folclore do que todo o resto da corte junta.
Enquanto Rinbin derramava histórias, anedotas e fofocas da província sobre os ouvidos do Duque, Grivus se ocupava de conhecer melhor seu novo senhor - e seu tino militar - enquanto o inteirava brevemente sobre as relações com as províncias vizinhas. Dunarsund exigia, segundo Grivus, uma atenção imediata. Batedores sob o comando de Herse Baugneson haviam sido avistados há poucos dias atravessando o vale da península, provavelmente espionando as defesas e fraquezas da vila.

A viagem duraria pouco menos de duas horas no ritmo das lentas e sobrecarregadas carroças.
Tannebaum então entendera que o feudo da província não existia mais. O castelo fora reduzido a ruínas pelas últimas ondas da guerra e tudo que restou do feudo se concentrava ao redor da grande taverna do campo, transformada desde então em uma espécie de prefeitura.

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